13 Março 2007

160. Ponto final (citando o Spicka), parágrafo.

Hoje é o dia do meu aniversário.

Como sou dado a efemérides, nesta, que é a minha, costumo olhar para trás, para o lado e para diante e perguntar-me, à maneira de Mr. Charnier: o que é que estou a fazer, se devia estar a fazer outra coisa qualquer? E, como sempre, tomo uma decisão qualquer, que na véspera nem me passara pela cabeça. Mudar de vida. Faço a trouxa e vou-me embora, de sabática, para outro lugar qualquer. Talvez seja desta que acabe de escrever as minhas memórias. Ou talvez não.

O meu alter ego continuará por aí. Eu talvez volte, qualquer dia. Ou talvez não.

Fui.

Diuner Variações de Guimarães

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12 Março 2007

159. Os pilares da vimaranensidade: os 7 magníficos

Está concluída a escolha dos sete pilares da vimaranensidade, tendo-se confirmado as tendências que se começaram esboçar logo nos primeiros instantes. Os vimaranenses são gente que se revê com orgulho do seu passado. Já vai sendo tempo de reivindicar a condição de capital histórica de Portugal. Além da história e do património, as Nicolinas assumem-se também como um dos principais pilares da identidade vimaranense. O Vitória nem tanto. Apesar das histórias de carochinha que alguns pretendem associar àquela tradição, os vimaranenses não se identificam com a caricatura das duas caras.

Eis os resultados apurados:

O D. Afonso Henriques (84%)
O Berço da Nacionalidade
(80%)
O Centro Histórico
(74%)
O Castelo
(67%)
A História
(66%)
O património
(65%)
As Nicolinas
(65%)
O Vitória (38%)
O bairrismo
(30%)
A Oliveira
(24%)
O sotaque vimaranense
(16%)
As Gualterianas
(15%)
A Penha
(13%)
A cantarinha dos namorados
(12%)
As tortas de Guimarães, o toucinho-do-céu e o doce de calondro
(11%)
As passarinhas e os sardões
(11%)
As Praças
(10 %)
O hino
(7%)
A bandeira
(6%)
O Guimarães (o das duas caras)
(5%)

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Nota de Diuner de Guimarães Às 22:20 0 Réplicas

158. Antologia do Lobo XXV

Se a lira pulsas, ou pandeiro tocas,
Que o digam os lacaios mais as putas;
Pois nos teus versos, que por bons reputas,
Sediças chufas de arrieiro brocas:

Se velhas frases de vidrilhos tocas,
Não honras os heróis, que tu desfrutas;
A quem ofereces, por canções argutas,
de podres rimas chochas maçarocas:

Prossegue Nicolau, na fácil peta;
Que os versos teus são fulminantes raios;
Que contra a plebe sacas da gaveta:

O céu te dê à Musa altos ensaios,
Porque eu te juro que hás-de ser poeta,
Enquanto houverem putas e lacaios.

(Do espólio literário de António Lobo de Carvalho, poeta vimaranense do séc. XVIII)

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[Petição por uma rua para António Lobo de Carvalho: aqui]

Etiquetas: A. Lobo de Carvalho

Nota de Diuner de Guimarães Às 21:50 0 Réplicas

07 Março 2007

157. Da arte de vender livros

Essa foi a receita da Carolina: anunciar um livro e dizer que ele é polémico, mesmo que seja velho e revelho e não traga nenhuma novidade. Vende que nem pãezinhos!

Da, agora, tão propagandeada obra já se falou aqui e nada tenho a acrescentar. Um amigo de Braga descortinou uma caça onde vê sinais da pequenez nacional. Um outro fala numa “disputa tacanha”.

Assim sendo, isto, por aqui, devia andar em convulsão. Mas eu, pobre de mim, certamente por força da vista cansada, não vejo nada. A não ser pelos dizeres de uma mui distinta medievalista, que certamente confunde a Idade Média com a linha média e o Afonso Henriques com o Rui Costa, que defende que Afonso Henriques “nasceu provavelmente em Guimarães, em 1111”, e do senhor 99 %, um eminente medievalista que nunca leu um pergaminho, por evidênccia de iliteracia paleográfica, mas que sabe de ciência certa onde o rebento de D. Tareja foi baptizado, não sinto nem sinais de disputa, nem vestígios de vindicação. Nós, por cá, vamos conseguindo dormir sossegados, mesmo sem sabermos ao certo onde nasceu o D. Afonso Henriques.

O livro vai ser um sucesso, claro.

Etiquetas: Berço

Nota de Diuner de Guimarães Às 14:35 2 Réplicas

05 Março 2007

156. Os pilares da vimaranensidade (o estado da coisa/4)

Prossegue a votação para escolher os 7 pilares da vimaranensidade. Os 7 magníficos continuam os mesmos. Afonso Henriques, o Berço da Nacionalidade e o Centro Histórico ocupam o pódio, confortavelmente. Do quarto ao sétimo postos, a luta está renhida, com uma unha negra (ou duas) a separar os eleitos. A coisa promete!

O D. Afonso Henriques (84%)
O Berço da Nacionalidade (80%)
O Centro Histórico (75%)
O Castelo (66%)
As Nicolinas (66%)
A História (65%)
O património (64%)

O Vitória (39%)
O bairrismo (30%)
A Oliveira (22%)
O sotaque vimaranense (17%)
As Gualterianas (16%)
A cantarinha dos namorados (13%)
A Penha (12%)
As tortas de Guimarães, o toucinho-do-céu e o doce de calondro (12%)
As passarinhas e os sardões (11%)
As Praças (10%)
O hino (7%)
A bandeira (6%)
O Guimarães (o das duas caras) (5%)

A votação prossegue, aqui.

Nota de Diuner de Guimarães Às 22:24 4 Réplicas

04 Março 2007

155. A grande porca

Conhecemos a do Rafael Bordalo Pinheiro, a Grande Porca. Mas não conhecemos de que tamanho seria aquela outra por quem, em 1926, se dobraram sinos aflitos, desde S. Torcato até à cidade de Guimarães.

"1926 — Às 5 horas da manhã, estando a tocar a fogo, nas torres de S. Torcato e das freguesias circunvizinhas, repetiu-se o toque em algumas torres desta cidade. Os bombeiros voluntários foram no seu automóvel e com algum material para S. Torcato. Afinal não era incêndio, era a chamuscar uma porca."

Fonte: Pedra Formosa.

Etiquetas: Soltas

Nota de Diuner de Guimarães Às 14:18 0 Réplicas

03 Março 2007

154. Antologia do Lobo XXIV

À Chate, atacando em certa ocasião umas tão boas como ela

Olhai, cações, vós andais
comigo muito enganadas;
se não dizei-me, rafadas,
com quem é que vos pinais?
Com alguns, que nos Guardais
vos mandam dar poucos cobres;
eu cá tenho moças nobres,
que andam sempre a ganho e perda;
e vós um dardo; ide à merda,
putas velhas, putas pobres.

(Do espólio literário de António Lobo de Carvalho, poeta vimaranense do séc. XVIII)

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Etiquetas: A. Lobo de Carvalho

Nota de Diuner de Guimarães Às 18:04 0 Réplicas

153. É crime? Mande-se prender.

OPA sobre a PT bloqueada por um terço dos accionistas e cumplicidade do Governo.

(Manchete do jornal Público, 3 de Março de 2007)


Cumplicidade s.f. 1 Acção, estado ou característica de cúmplice 2 DIR.PEN participação secundária na realização de um crime de outrem.

(Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa)

Há muito que ouvia dizer que no jornal Público se faz jornalismo de referência. Mas não sabia bem o que era isso. Agora, já sei: a referência é a voz do dono.

Etiquetas: País

Nota de Diuner de Guimarães Às 13:01 3 Réplicas

01 Março 2007

152. Em defesa da tolerância

Demonstram a sua religiosidade com comportamentos exageradamente puritanos, frequentando em excesso missas, rezas, terços, novenas, capelas, igrejas e procissões. Adélias ou Felícias, Raul Brandão descreveu magistral e impiedosamente as de Guimarães, em A Farsa. Muita gente não tem em grande conta a sua piedosa ostentação, onde, não raro, se mistura alguma dose de hipocrisia. Porém, não creio que seja caso para tanto.

Etiquetas: Soltas

Nota de Diuner de Guimarães Às 19:32 0 Réplicas

151. A grande contenda

As conversas, como os filmes do Edgar Pêra, são como as cerejas. Uma inquietação de um vizinho quatromiloitocentista sobre um dilema profundo e dilacerante (fechar ou não fechar o guarda-chuva quando se passa, em dia de intempérie, sob a velha casa da Câmara, atravessando da Oliveira para a Praça de S. Tiago, ou vice versa) desencadeou uma contenda inaudita, desaguando numa formidável discussão, do género “a minha é maior do que a tua”. Poderia estar-se a falar disto, mas não é o caso. É da comparação das programações do Theatro* Circo e do Centro Cultural Vila Flor que se trata nesta peleja rija, exaltante e inútil.

Tenho cá para mim que, pelo menos em relação ao CCVF, o debate que faz falta está ainda por fazer e é o que discutirá se aquele equipamento cumpre ou não a função de Centro Cultural que lhe está no nome e na vocação. O pobre de mim que sou eu vai mantendo as suas dúvidas.

*Vá-se lá entender porquê, esta tineta braguesa do teatro com th, traz-me à memória uma história de gosto duvidoso que começava assim: “Ele era um velho tão velho, tão velho, que a última que deu ainda foi com ph…”

Etiquetas: Guimarães

Nota de Diuner de Guimarães Às 18:34 1 Réplicas

28 Fevereiro 2007

150. Respeitinho, s. f. f.

"Neste país em diminuitivo, respeitinho é que é preciso."
Alexandre O'Neill

Etiquetas: País

Nota de Diuner de Guimarães Às 12:35 2 Réplicas

26 Fevereiro 2007

149. Guimarães tem!

Já tinha a Universidade, o teleférico, o Shopping, o Estádio D. Afonso Henriques, o Multiusos, o Centro Cultural Vila Flor, o parque subterrâneo da Mumadona, os orelhetes, as missas com PowerPoint, mas aquele equipamento ainda faltava para que Guimarães pudesse, finalmente, franquear as portas da modernidade. Agora, já não falta. Tem entrada pelo coração do Toural e é vizinha da Adega dos Caquinhos.

Guimarães já tem uma sex-shop. Sejam bem-vindos os tempos modernos!

Etiquetas: Soltas

Nota de Diuner de Guimarães Às 17:04 5 Réplicas

25 Fevereiro 2007

148. Os pilares da vimaranensidade: (20) As tortas de Guimarães, o toucinho-do-céu e o doce de calondro

São os manjares dos anjos, as iguarias dos deuses, as doçuras celestes. Açúcar, amêndoas, ovos, chila, calondro, alguma canela. A doçaria conventual de Guimarães é feita de doces pecados que eram feramente disputados por uma imensa súcia de lambareiros. Por eles, as freiras de Santa Clara enfrentaram os homens do arcebispo de facas em riste. Por eles, um padre lutou nos tribunais até à Relação do Porto porque, certo ano, o quinhão que lhe coube foi menor do que o que soía ser.

São um dos ex-libris de Guimarães.

Podiam sê-lo mais.

Etiquetas: Pilares

Nota de Diuner de Guimarães Às 18:49 0 Réplicas

24 Fevereiro 2007

147. Os pilares da vimaranensidade: (19) O sotaque vimaranense

Tentei decifrar o que seria o sotaque vimaranense. Em vão. A verdade é que não existe nenhum sotaque vimaranense. Por aqui, fala-se a nossa língua com a pureza da sua sonoridade original. Sotaques têm-nos os outros, portanto.

O mesmo já não direi da semiologia vimaranense. Aqui, as palavras adquirem uma garrida maviosidade vernácula e têm mutações semânticas inusitadas, raramente significando o que parecem significar. Entre nós, são correntes expressões como esta, usual de mãe para filho, em que se diz algo de muito diferente daquilo que as palavras ditas significam literalmente:

Anda cá, filho da puta, que já mamas!

Ou esta, que ao comum dos mortais suscitará dúvidas acerca de qual possa ser o sujeito da oração ou a natureza da acção que lhe é imputada:

O caralho do homem já voltou a arrebitar cachimbo.

(Note-se que, ao contrário do que possa parecer, aquela expressão não se refere ao recobro de uma situação de disfunção eréctil temporária.)

A lista de exemplos poderia ser interminável. Se quiserem uma lição completa, reservem mesa na Adega dos Caquinhos e deliciem-se com o harmonioso linguajar das gentis senhoras daquele santuário vimaranense da arte de bem receber.

Pois é. A originalidade do falar dos vimaranenses não está na pronúncia, mas sim no manuseio alternativo, elegante e gracioso das palavras.

Etiquetas: Pilares

Nota de Diuner de Guimarães Às 16:04 2 Réplicas

146. Os pilares da vimaranensidade (o estado da coisa/3)

Prossegue a votação para a escolha dos 7 pilares da vimaranensidade. O actual quadro de resultados mantém-se inalterável em relação ao último balanço, no que se refere à metade superior da tabela, que continua a ser liderada por Afonso Henriques, indicado por 82% dos votantes. Contrariando algumas expectativas (ou talvez não), neste campeonato o Vitória continua abaixo da sétima posição. No fim da lista continua o Guimarães das duas caras, com o qual apenas se identificam 5% dos (e)leitores da Torre dos Cães. O ponto da situação é o seguinte:

O D. Afonso Henriques (83%)
O Berço da Nacionalidade (78%)
O Centro Histórico (73%)
As Nicolinas (70%)
O Castelo (64%)
A História (63%)
O património (60%)

O Vitória (42%)
O bairrismo (34%)
O sotaque vimaranense (19%)
As Gualterianas (17%)
A Oliveira (16%)
A Penha (14%)
A cantarinha dos namorados (14%)
As tortas de Guimarães, o toucinho-do-céu e o doce de calondro (14%)
As passarinhas e os sardões (11%)
As Praças (11%)
O hino (7%)
A bandeira (6%)
O Guimarães (o das duas caras) (5%)

A votação prossegue. Aqui.

Nota de Diuner de Guimarães Às 12:14 0 Réplicas

23 Fevereiro 2007

145. Os pilares da vimaranensidade: (18) A cantarinha dos namorados

É uma bilha dupla, de barro vermelho. Tem a boca engalhetada e é ornamentada com palhetas de mica sobre incisões. Era oferecida pelo noivo, como preliminar do pedido formal de casamento. A mais pequena era usada para encher a maior, com as prendas que a cachopa recebia do namorado e dos seus pais, que constituiriam o seu dote. Ali se juntava um pequeno tesouro: cordões, tranceletes, corações, cruzes, borboletas, estrelas, arrecadas, relicários ou contas, de preferência em ouro.

Antigamente, era também utilizada nos leilões de prendas que aconteciam nas festas das aldeias de Guimarães.

Podem chamar-lhe cantarinha das prendas, dos namorados ou, simplesmente, de Guimarães. É a peça mais emblemática do artesanato vimaranense.

Etiquetas: Pilares

Nota de Diuner de Guimarães Às 21:51 2 Réplicas

22 Fevereiro 2007

144. Os pilares da vimaranensidade: (17) As passarinhas e os sardões

É a nossa festa mais vernácula. Ocorre a 13 de Dezembro, dia em que se pede a Santa Luzia pela boa vista e tem prolegómenos no dia 8 anterior, na Senhora da Conceição. Sem simbologias ambíguas. Porque as coisas são o que são, uma passarinha é uma passarinha e um sardão é um sardão.

E são doces.

Etiquetas: Pilares

Nota de Diuner de Guimarães Às 21:54 4 Réplicas

21 Fevereiro 2007

143. Antologia do Lobo XXIII

Aos Deuses do Gentilismo, que o Marquês de Pombal tinha mandado tirar do Bom Jesus do Monte, e que depois de sua morte foram colocados no mesmo Santuário.

Apolo, Ganimedes e Narciso,
No Limbo de Val d'Este encarcerados,
Já o tempo chegou, que a ira dos fados
O horror da pena, vos converte em riso.

Quantas aranhas, quanto pó diviso
Que a prisão vos teceu nos estufados,
Varre-se tudo, e lede alvoroçados,
Deste correio o mais gostoso aviso.

«De Abril aos vinte e cinco, e mais dois dias,
Borrou-se a sua Estátua, o seu governo,
Ao Amado das Nações das Profecias.»

Quero dizer, segundo o meu caderno,
Que o Marquês de Pombal vosso Messias,
Vai ter convosco brevemente ao Inferno.

(Do espólio literário de António Lobo de Carvalho, poeta vimaranense do séc. XVIII)

[Ler mais]

[Petição por uma rua para António Lobo de Carvalho: aqui]

Etiquetas: A. Lobo de Carvalho

Nota de Diuner de Guimarães Às 13:53 0 Réplicas

20 Fevereiro 2007

142. Um certo número de verdades

A propósito de uma sugestão que um amigo deixou aí abaixo, lembrei-me de uma conferência que João de Meira (uma das inteligências mais fulgurantes que algum dia passaram por Guimarães) deixou inédita à data da sua morte, que seria, alguns anos mais tarde, publicada na Revista de Guimarães.

Começava assim:

"Não conhecermos a nossa própria história, diz um escritor moderno, é de bárbaro; conhecê-la, porém, viciada, tecida de burlas e de piedosas fraudes, é pior. Porque, no primeiro caso, com não sabermos quem somos, nem nos dizerem donde viemos, essa mesma ignorância obstará a que perpetremos muitos desconcertos; ao passo que, se laborarmos no vício de uma falsa informação, daremos muitas vezes, com a memória das fábulas que nos tiverem ensinado, razão sobeja e justificada a que se riam de nós."

E terminava deste modo:

“E dar-me-ei por feliz, se os que me escutaram gravarem na memória um certo número de verdades que são geralmente ignoradas ou desprezadas:

I - Guimarães nasceu em volta do convento fundado por Mumadona numa quinta sua, no meado do século X. Anteriormente a esta data, não existia no local onde nos encontramos qualquer agregado urbano. Como consequência: nem Guimarães pode ter sido a Araduca de Ptolomeu, nem S. Dâmaso, que viveu no século IV, pode ter sido vimaranense.

II - A Igreja de S. Tiago foi construída pelos franceses que acompanharam o Conde D. Henrique, e na sua descendência se manteve muitos anos, Como consequência: esta igreja não pode ter sido templo de Ceres, nem S. Tiago a pode ter cristianizado.

III - O castelo de Guimarães chamava-se de S. Mamede. Os documentos coevos dizem que a batalha de S. Mamede se feriu junto do Castelo. Como consequência: a batalha entre D. Afonso I e sua mãe não se deu em qualquer ponto do Vale de S. Torcato.

IV - Nenhum documento coevo diz que D. Afonso Henriques nascesse em Guimarães, Os primeiros livros que referem o nascimento em Guimarães datam do século XVII e não alegam autoridade mais antiga. Como consequência: é incerta a naturalidade de D. Afonso Henriques.

V - O Arcebispo S. Geraldo já tinha falecido em 1109. Como consequência: não é provável que baptizasse o rei, nascido, ao que parece, em 1111.

Cientes disto e do mais que expus, nem daremos motivo a que nos chamem bárbaros por não conhecermos a nossa história, nem nos prestaremos ao riso por a narrarmos amplificada com fábulas inconsistentes.

Disse.”

João de Meira, "Guimarães. 950-1580. Conferência inédita". Revista de Guimarães n.º 31, 1921, p. 119-151

Etiquetas: Guimarães

Nota de Diuner de Guimarães Às 15:49 7 Réplicas

141. As Nicolinas da Humanidade: a estratégia

Conforme tem sido público e notório, as candidaturas europeias a Património Mundial estão a levar para trás da UNESCO. Em vez da classificação de novos bens patrimoniais da Europa, a prática tem sido a da desclassificação de bens que já faziam parte da lista. Ao que me dizem fontes muito bem colocadas, esta nova política terá a ver com os equilíbrios internos dentro daquele organismo, onde agora prevalecem as posições dos países do Hemisfério Sul.


Vai daí, os senhores da União Europeia avançam já com a ideia de uma nova classificação: o Património Cultural Europeu.


Entretanto, a Lei que estabelece as bases da política e do regime de protecção e valorização do património cultural português (ainda por regulamentar), prevê a classificação dos bens imateriais que constituam parcelas estruturantes da identidade e da memória colectiva portuguesas. Aproveitando a boa onda de Guimarães nas coisas da Cultura, se calhar, deveria começar-se por propor a classificação das Nicolinas como bem relevante do património cultural imaterial português.


Depois da conquista de Lisboa, as Nicolinas ganhariam força para partirem rumo ao reconhecimento da Europa e para, finalmente, colocarem a cereja em cima do bolo, lançando o cerco à cidadela da UNESCO.


A estratégia proposta é simples, seguindo o ensinamento de Sun Tzu de que nunca se deve travar uma batalha precipitada. Não mais do que um passo de cada vez, portanto.


PS: Diuner de Guimarães afirma, solenemente, que jamais reivindicará para si a paternidade desta sugestão, que dá de graça.

Etiquetas: Nicolinas

Nota de Diuner de Guimarães Às 11:00 0 Réplicas

Tábua das matérias

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    De Guimarães

    De Portugal

    Do Mundo

    Dos vimaranenses

    Dos bragueses

    Das Nicolinas

    Dos pilares da vimaranensidade

    De moi-même

    Soltas & Avulsas

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  • Está em curso uma petição para que seja atribuído a uma rua de Guimarães o nome de António Lobo de Carvalho, poeta fescenino vimaranense do século XVIII.
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